Irei iniciar a terapia, e agora? O que acontece na terapia?

 

Muitas pessoas ao iniciarem terapia se perguntam o que vai acontecer entre aquelas quatro paredes, nesses 50 minutos por semana. Os questionamentos direcionados ao psicólogo são muitos: você vai me analisar? Tem mesmo um divã na sala? Se eu for à terapia vou sofrer? É o mesmo que desabafar com um amigo? É a força do pensamento positivo? A terapia realmente funciona? Em que isso pode me ajudar?

Começo esclarecendo que o divã, apesar de confortável, não é obrigatório em um consultório de psicologia. Portanto, não se decepcione se ao chegar na sala encontrar poltronas, um sofá ou ainda um conjunto de mesa e cadeiras. 

É perfeitamente esperado que ao iniciar um tratamento de saúde, busque o máximo de informações possíveis. Acredito que o esperado antes de usar um medicamento seja perguntar ao médico para quê serve ou ler antes a bula e a posologia. O mesmo ocorre com aqueles que procuram tratamento psicológico: querem saber o que irá acontecer. Os motivos que levam à busca pela terapia são muitos: auto conhecimento, sofrimento emocional e psíquico, necessidade de mudança de hábitos, dificuldades de relacionamento, tentativas de superar eventos marcantes do passado, entre outras muitas coisas. Cada pessoa tem uma carga emocional e uma bagagem de história única, que é interpretada de uma forma única por cada pessoa. 

Não é possível afirmar com certeza o quanto alguém irá sofrer com algo, que pode ser corriqueiro ou banal para outra pessoa. Portanto, cada queixa é levada de forma relativa e individualizada pelo psicólogo, por mais que a maneira de tratamento seja parecida e com as mesmas técnicas, cada pessoa precisa de uma forma de tratamento exclusiva. Não há como o psicólogo saber de antemão o quanto essa pessoa "sofrerá" com o processo terapêutico. Mas a resposta é sim, algumas vezes a terapia vai exigir um pouco mais de você, vai causar um pouco de dor e algumas coisas desconfortáveis virão à tona. Para ajudar a lidar com essas demandas, existe a figura do terapeuta, que também avalia em conjunto com o paciente o melhor momento para lidar com assuntos dolorosos e a capacidade de suportar essa dor.  A intenção não é que a pessoa em terapia sofra com suas demandas, mas que adquira ferramentas para lidar com elas. 

A terapia não é o mesmo que desabafar com um amigo, porque o terapeuta é um profissional que possui uma escuta diferenciada, é capacitado em técnicas capazes de fornecer ferramentas para lidar com suas demandas e é treinado para ajudar a uma melhor reflexão por parte do paciente. Além disso, não possui vínculos sociais, íntimos e afetivos, sendo imparcial e orientado ao não julgamento. Conversar com pessoas próximas sobre sua vida pode ser muito útil. Formar vínculos de confiança e uma rede social forte é altamente recomendável, porém, não é o mesmo que fazer terapia. O terapeuta não é alguém que irá "entregar soluções prontas e distribuir conselhos", mas alguém que irá ajudar na reflexão do que é mais saudável nesse momento para cada pessoa, ajudando a alcançar esses objetivos.

Muitas vezes interpretada como "a força do pensamento positivo", a terapia cognitiva não se resume à crença otimista de que a "vida vai melhorar". O pensamento mais saudável (talvez mais otimista, talvez não) é necessário, assim como o monitoramento dos pensamentos. Entretanto, o que gera as mudanças são as ações do paciente, orientadas pelo pensamento saudável. Ou seja: não adianta apenas desejar o melhor, será preciso um esforço para saber o que é este melhor e como atingi-lo.

E por fim: a dúvida sobre a terapia funcionar e no que ela pode ajudar.  Esse é um tópico extenso, melhor sendo discutido e aprofundado em um outro artigo. Mantenha-se conectado ao site para saber as cenas do próximo artigo. Espero que tenha sido útil!

Para dúvidas, sugestões e maiores esclarecimentos, escreva para stephanie.sabarense@gmail.com.

 

Stéphanie Sabarense - CRP DF 01/15412 – CRP GO 09/007262